O que significa perder tempo? O conceito de que em algum momento estamos “perdendo tempo” é demasiado equivocado. 


Costumo aproveitar bem o meu tempo. A pé sempre no celular, escrevendo emails, lendo artigos, procurando por referências.
Até que um certo dia reparei, uma arte efêmera. Como a luz do final da tarde incidia sobre uma empena cega de um edifício, parecia uma pintura. Pintura esta que só pode ser observada por seres sensíveis que perdem tempo, mas constroem a paisagem. 


Paisagens são vulgares, não são feitas de espetáculos, não são horizontes para contemplar. Nós a olhamos de dentro dela, no seu interior. Nós habitamos a paisagem. 
Comecei a deambular pela cidade, sem fins específicos. Em italiano “andare a zonzo” , “perder tempo vagando sem objetivo”.


Então cheguei a ter contato com a Teoria da Deriva.

A prática da deriva nasce com a Internacional Situacionista, técnica para conhecer espaços urbanos através do “deixar-se ir”.Através desta técnica descobri o caminhar como exploração e reapropriação da cidade.
 

O caminhar como uma maneira de habitar a paisagem, uma maneira de fazer paisagem, de se juntar à paisagem atuando na escala 1:1, através do corpo a corpo com a cidade.

 

As empenas motivavam. Os vazios urbanos motivavam afim de reconstruir os fragmentos de cidade na qual vivemos.Olhando e ouvindo os fenômenos imprevisíveis da vida urbana. Encontrar uma realidade desconhecida, em modo indireto, lúdico, não funcional. Tropeçando em território desconhecido de onde nascem novas interrogações. 

 

Estas interrogações geram o entendimento de que os espaços de transição, a transitoriedade, não espera ser preenchida de coisas, mas sim de significados. Estes significados são pessoais, eles constroem a geografia afetiva e o seu poder de ressonância que os locais tem sobre a imaginação. 

 

Paul Klee disse que existem duas linhas: a linha que parte em passeio, que passeia livremente e sem entraves, e a linha que se desloca para negócios, de um ponto específico a outro ponto específico. Passeio.

Exposição "Múltiplos" na Boiler galeria. Curitiba - PR.

Exposição "Vazio Urbano" da JF Foto 16, evento promovido pela FUNALFA em Juiz de Fora - MG.

Fotolivro "Ao passo que"

100 cópias. Impresso em Offset Digital
Fotografias e texto: Fernando Moleta / Projeto gráfico: Felipe Abreu, Milena Costa e Pedro Vieira


ISBN: 978-85-922927-0-6


Participação em: Livro etc___Exposição de livros de artista e publicações. Solar do barão, Curitiba, 2017.